Um Olhar Psicanalítico sobre a Amamentação de Bebês Prematuros na UTI Neonatal

Palavras-chave: prematuridade, amamentação, psicanálise, equipe de saúde, UTI neonatal

Resumo

Este artigo consiste em um estudo teórico sobre a complexidade dos fatores físicos, psíquicos e socioculturais implicados na vivência das mães de bebês prematuros em relação à amamentação, na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN). Busca-se problematizar a prática de prescrever a amamentação às gestantes e lactantes, sem levar em consideração aspectos subjetivos e inconscientes que influenciarão na adesão a esta recomendação. Os discursos dos profissionais de saúde, apoiados no excesso de informações científicas sobre a amamentação, bem como argumentos moralistas que circunscrevem este tema, não são suficientes para que se estabeleça o aleitamento materno. A amamentação vai além de um processo meramente fisiológico, exigindo da mulher condições psíquicas favoráveis para que ela possa desempenhar o papel de nutriz. Pode haver casos em que não amamentar a criança no seio traga mais benefícios à saúde mental da díade, sem que isso signifique ser a mãe menos zelosa ou cuidadosa do que as demais.  

Biografia do Autor

Andréa Leão Leonardo-Pereira de Freitas, Universidade de Brasília (UnB)

Doutoranda em Psicologia Clínica e Cultura na Universidade de Brasília (UnB). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Eliana Rigotto Lazzarini, Universidade de Brasília (UnB)

Doutora em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade de Brasília (UnB). Atualmente é professora do departamento de Psicologia Clínica na UnB.

Eliane Maria Fleury Seidl , Universidade de Brasília (UnB)

Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB). Atualmente é professora do departamento de Psicologia Clínica na UnB.

Referências

Agman, M., Druon, C., & Frichet, A. (1999). Intervenções psicológicas em neonatologia. In D. B. Wanderley (Ed.), Agora eu era o rei: Os entraves da prematuridade (pp. 17-34). Salvador: Ágalma.

Arias, M. I. (2018). A escuta do indizível. In A. Jerusalinsky (Ed.), Psicanálise e desenvolvimento infantil: Um enfoque transdisciplinar (6a ed.) (pp. 294-298). Porto Alegre: Artes e Ofícios.

Badinter, E. (1985). Um amor conquistado: O mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Baeta, M. L. M. (2011). Função paterna na UTI neonatal: o empuxo à mãe diante do encontro traumático com o mais além do pai. In G. Batista, M. D. Moura & S. B. Carvalho (Orgs.), Psicanálise e hospital: A responsabilidade da Psicanálise diante da ciência médica (pp. 157-170). Rio de Janeiro: Wak Editora.

Baltazar, D. V. S., Gomes, R. F. S., & Cardoso, T. B. D. (2010). Atuação do psicólogo em unidade neonatal: Construindo rotinas e protocolos para uma prática humanizada. Revista da SBPH, 13(1), 1-18. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582010000100002&lng=pt&tlng=pt

Braga, N. A., & Morsch, D. S. (2003). Os primeiros dias na UTI. In M. E. L. Moreira (Org.), Quando a vida começa diferente: O bebê e sua família na UTI neonatal (pp. 51-68). Rio de Janeiro: Fiocruz.

Brasil. Ministério da Saúde. (2006). Pré-natal e Puerpério: Atenção qualificada e humanizada (3a ed.). Brasília-DF: Ministério da Saúde. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_pre_natal_puerperio_3ed.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. (2009). Norma de atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: Método-canguru (2a ed.). Brasília-DF: Ministério da Saúde.

Brazelton, T. B. (1994). Momentos decisivos do desenvolvimento infantil. São Paulo: Martins Fontes.

Bruschweiler-Stern, N. (1997). Mère à terme et mère prématuré. In M. Dugnat (Org.), Le monde relationnel du bébé (pp. 19-24). Ramonville-Saint-Agne: Érès.

Carvalho, M. R., & Tavares, L. A. M. (2010). Amamentação: Bases científicas (3a ed.). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

Couronne, M. (1997). O prematuro: um bebê inteiro à parte. In M. C. Busnel (Org.), A linguagem dos bebês: Sabemos escutá-los? (pp. 136-145). São Paulo: Escuta.

Dolto, F. (2007). As etapas decisivas da infância (2a ed.). São Paulo: Martins Fontes. (Originalmente publicado em 1950).

Dunker, C. I. L. (2011). O nascimento da clínica. In C. I. L. Dunker (Ed.), Estrutura e constituição da clínica psicanalítica: Uma arqueologia das práticas de cura, psicoterapia e tratamento (pp. 389-481). São Paulo: Annablume.

Fabre-Grenet, M. (1997). Os meios de comunicação do prematuro. In M. C. Busnel (Org.) A linguagem dos bebês: Sabemos escutá-los? (pp. 111-123). São Paulo: Escuta.

Feliciano, D. S., & Souza, A. S. L. (2011). Para além do seio: uma proposta de intervenção psicanalítica pais-bebê a partir de dificuldades na amamentação. Jornal de Psicanálise, 44(81), 145-161. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-58352011000200012&lng=pt&tlng=pt

Fiori, W. R. (1981). Organização afetiva inicial: fase oral e amamentação. In C. R. Rappaport, W. R. Fiori & E. Herzberg, E (Orgs.), Psicologia do Desenvolvimento (Vol. 2, pp. 29-43). São Paulo: EPU.

Freitas, A. L. L. P, & Gutierrez, D. M. D. (2010). Possibilidades de intervenção do psicólogo em unidades de terapia intensiva neonatal (UTINS) com bebês pré-termos e seus familiares. Revista Amazônica, 5(2), 182-196. Recuperado de https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/3935

Gandra, M. I. S. (1998). A Psicologia na Unidade de Neonatologia. In V. A. Angerami-Camon (Org.), Urgências psicológicas no hospital (pp. 81-99). São Paulo: Pioneira.

Góes, A. D. C. (1999). Avaliação de questões relacionadas ao atendimento da equipe em uma Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais sob a perspectiva dos pais após a alta. In D. B. Wanderley (Ed.), Agora eu era o rei: Os entraves da prematuridade (pp. 83-104). Salvador: Ágalma.

Gorgulho, F. R., & Pacheco, S. T. A. (2008). Alimentação de prematuros em uma unidade neonatal. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, 12(1), 19-24. doi:https://dx.doi.org/10.1590/S1414-81452008000100003

Harlow, H. F., & Suomi, S. J. (1970). The nature of love: Simplified. American Psychologist 2, 161-168.

Iaconelli, V. (2011). Vamos refletir? [Blog]. Recuperado de https://mamamiaamamentar.wordpress.com/tag/bebe/

Klaus, M. H., & Kennell, J. H. (1992). Pais/Bebês: A formação do apego. Porto Alegre: Artes Médicas.

Klaus, M. H., Kennell, J. H. & Klaus, P. H. (2000). Vínculo: Construindo as bases para um apego seguro. Porto Alegre: Artes Médicas.

Lacan, J. (1998). Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Originalmente publicado em 1966).

Langer, M. (1981). Maternidade e sexo: Estudo psicanalítico e psicossomático. Porto Alegre: Artes Médicas.

Lebovici, S. (1987). O bebê, a mãe e o psicanalista. Porto Alegre: Artes Médicas.

Lima, L. A. (2008). Intervenção precoce em neonatologia. In E. S. N. Lange (Org.), Contribuições à psicologia hospitalar: Desafios e paradigmas (pp. 129-44). São Paulo: Vetor.

Maldonado, M. T. (2017). Psicologia da gravidez: Gestando pessoas para uma sociedade melhor. São Paulo: Ideias & Letras.

Mathelin, C. (1999). O sorriso da Gioconda: Clínica psicanalítica com os bebês prematuros. Rio de Janeiro: Companhia de Freud.

Mazet, P., & Stoleru, S. (1990). Manual de psicopatologia do recém-nascido. Porto Alegre: Artes Médicas.

Middlemore, M. P. (1974). Mãe e filho na amamentação: Uma analista observa a dupla amamentar. São Paulo: Ibrex.

Morsch, D. S., & Braga, M. C. N. A. (2007). À procura de um encontro perdido: O papel da “preocupação médico-primária” em UTI neonatal. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 10(4), 624-636. doi:https://dx.doi.org/10.1590/S1415-47142007000400005

Rosa, M. D. (2016). A clínica psicanalítica em face da dimensão sociopolítica do sofrimento. São Paulo: Escuta.

Soares, J. P. O., Novaes, L. F. G., Araújo, C. M. T., & Vieira, A. C. C. (2016). Amamentação natural de recém-nascidos pré-termo sob a ótica materna: Uma revisão integrativa. Revista CEFAC, 18(1), 232-241. doi:https://dx.doi.org/10.1590/1982-021620161819215

Souza, N. L., Araújo, A. C. P. F., Costa, I. C. C., Carvalho, J. B. L., & Silva, M. L. C. (2009). Representações de mães sobre hospitalização do filho prematuro. Revista Brasileira de Enfermagem, 62(5), 729-33. doi:https://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672009000500013

Stern, D. N. (1997). A constelação da maternidade: O panorama da psicoterapia pais/bebê. Porto Alegre: Artes Médicas.

Wilheim, J. (1997). O que é psicologia pré-natal? São Paulo: Casa do Psicólogo.

Winnicott, D. W. (1978). Textos selecionados: Da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

Winnicott, D. W. (1983). O ambiente e os processos de maturação: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artmed.

Winnicott, D. W. (1999). Os bebês e suas mães. São Paulo: Martins Fontes.

Winnicott, D. W. (2017). A criança e o seu mundo (6a ed.). Rio de Janeiro: Livros Técnicos Científicos Editora.

Zornig, S. M. A. J., Morsch, D. S. M., & Braga, N. A. (2004). Parto Prematuro: Antecipação e Descontinuidade Temporal? In R. O. Aragão (Org.), O bebê, o corpo e a linguagem (pp.165-174). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Publicado
2021-09-28
Como Citar
Leonardo-Pereira de Freitas, A. L., Lazzarini, E. R., & Fleury Seidl , E. M. (2021). Um Olhar Psicanalítico sobre a Amamentação de Bebês Prematuros na UTI Neonatal. Revista Psicologia E Saúde, 13(2), 111-124. https://doi.org/10.20435/pssa.v13i2.1194
Seção
Artigos