Uso de Benzodiazepínicos por Mulheres Brasileiras: Revisão Integrativa de Literatura

Palavras-chave: mulheres, assistência à saúde, ansiolíticos

Resumo

O uso prolongado de benzodiazepínicos em mulheres tem sido uma questão recorrente encontrada nos serviços de saúde. Assim, este estudo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa de literatura para identificar o perfil das mulheres de nacionalidade brasileira que fazem uso regular de benzodiazepínicos. Foram feitas buscas nas bases de dados SciELO, PePSIC e BVS-LILACS, e encontrados 86 artigos a partir das palavras-chave combinadas “mulher(es) AND benzodiazepínico(s)”, sendo selecionados 11 a partir dos critérios de inclusão. Os dados mostraram uma concentração maior de mulheres com idade de 40 a 60 anos, com uso entre 1 mês e 37 anos dos benzodiazepínicos para tratar de insônia, ansiedade, cefaleia e tristeza. Os benzodiazepínicos aparecem como recurso para fugir dos problemas e geralmente são receitados pelo clínico geral, sem articulação com as questões sociais vivenciadas pelas mulheres que envolvem sobrecarga de papéis, entre outros pontos.

Biografia do Autor

Raissa de Brito Braga, Universidade Federal de Uberlândia

Psicóloga pela UFU

Mestranda em Psicologia - Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia

Renata Fabiana Pegoraro, Universidade Federal de Uberlândia - UFUInstituto de Psicologia - IPUFUCampus Umuarama

Doutora em Psicologia pela USP/ Ribeirão, Mestre em Psicologia pela USP/Ribeirão, Especialista em Saúde Coletiva pela UFSCar, Psicologa pela USP/Ribeirão. Atualmente Profa Adjunta do Instituto de Psicologia da UFU - Universidade federal de Uberlândia.

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Publicado
2021-02-26
Seção
Artigos