Apoio Matricial e Produção de Autonomia no Trabalho em Saúde

Palavras-chave: apoio matricial, processo de trabalho em saúde, autonomia profissional, integralidade em saúde

Resumo

Como diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), o Apoio Matricial busca ampliar a capacidade analítica dos trabalhadores de saúde e sua corresponsabilização nas ações desenvolvidas nos serviços. Objetivou-se compreender sua influência para a autonomia dos apoiadores no trabalho em saúde, por suas percepções. Analisaram-se narrativas elaboradas a partir de grupos focais e os resultados mostraram o processo de trabalho dos apoiadores matriciais sustentado em três eixos: autonomia, fragmentação do trabalho/cuidado e processos de gestão, associados à proposta do SUS de produzir trabalhadores criativos e capazes de analisar seu contexto. Revelaram-se a ampliação de autonomia para desenvolver o trabalho cotidiano; o reconhecimento da contradição entre a integralidade e a fragmentação do trabalho e do cuidado; e o impacto das formas de gestão na produção desses sujeitos. Finalmente, apontamos para a necessidade de maiores investimentos institucionais no Apoio Matricial como política efetiva de ampliação de compromisso e autonomia dos trabalhadores e de processos de cogestão.

Biografia do Autor

Daniel Goulart Rigotti, Centro Universitário Padre Anchieta (UniAnchieta)

Mestre em Saúde Coletiva: Políticas e Gestão em Saúde. Professor da Graduação em Psicologia do Centro Universitário Padre Anchieta (UniAnchieta). 

Daniele Pompei Sacardo, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Doutora em Saúde Pública. Professora do Programa de Mestrado Profissional Saúde Coletiva, Política e Gestão em Saúde.

Referências

Bispo Júnior, J. P. & Moreira, D. C. (2017). Educação Permanente e Apoio Matricial: formação, vivências e práticas dos profissionais dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família e das equipes apoiadas. Cadernos de Saúde Pública [on-line], 33(9), e00108116. https://doi.org/10.1590/0102-311X00108116

Bondía, J. L. (2002). Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, 19, 20-28. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n19/n19a02.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. (2004). HumanizaSUS: Equipe de Referência e Apoio Matricial (Série B. Textos Básicos de Saúde). Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/equipe_referencia.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. (2007). Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular (2a ed., Série B. Textos Básicos de Saúde). Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/clinica_ampliada_2ed.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. (2012). Política Nacional de Atenção Básica (Série E. Legislação em Saúde). Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/pnab.pdf

Campos, G. W. S. (1992). Reforma da reforma: Repensando a saúde. São Paulo: Editora Hucitec.

Campos, G. W. S. (1999). Equipes de referência e apoio especializado matricial: um ensaio sobre a reorganização do trabalho em saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 4(2), 393-403. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81231999000200013

Campos, G. W. S. (2000). Saúde pública e saúde coletiva: Campo e núcleo de saberes e práticas. Ciência & Saúde Coletiva, 2, 219-230. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232000000200002

Campos, G. W. S. (2015). Um método para análise e cogestão de coletivos: A constituição do sujeito, a produção de valor de uso e a democracia em instituições - O método da roda (5a ed.). São Paulo: Hucitec.

Campos, G. W. S. & Domitti, A. C. (2007). Apoio matricial e equipe de referência: uma metodologia para gestão do trabalho interdisciplinar em saúde. Cadernos de Saúde Pública, 23(2), 399-407. doi:http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2007000200016

Campos, G. W. S., Cunha, G. T., & Figueiredo, M. D. (2013). Práxis e formação paideia: Apoio e cogestão em saúde. São Paulo: Hucitec.

Camuri, D., & Dimenstein, M. (2010). Processos de trabalho em saúde: práticas de cuidado em saúde mental na estratégia saúde da família. Saúde e Sociedade, 19(4), 803-813. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v19n4/08.pdf

Castro, C. P. de & Campos, G. W. de S. (2016). Apoio Matricial como articulador das relações interprofissionais entre serviços especializados e atenção primária à saúde. Physis Revista de Saúde Coletiva, 26(2), 455-481. Disponível em https://www.scielosp.org/pdf/physis/2016.v26n2/455-481/pt

Castro, C. P., Oliveira, M. M., & Campos, G. W. S. (2016). Apoio Matricial no SUS Campinas: análise da consolidação de uma prática interprofissional na rede de saúde. Ciência & Saúde Coletiva [on-line], 21(5), 1625-1636. doi:https://doi.org/10.1590/1413-81232015215.19302015.

Chiaverini, D. H., Gonçalves, D. A., Ballester, D., Tófoli, L., Chazan, L., Almeida, N., & Fortes, S. (2011). Guia prático de matriciamento em saúde mental. Brasília: Ministério da Saúde/Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva.

Cunha, G. T., & Campos, G. W. S. (2011). Apoio matricial e atenção primária em saúde. Saúde e Sociedade, 20(4), 961-70. Disponível em http://dx.doi.org/10.1590/S0104-12902011000400013.

Dejours, C. (1992). A loucura do trabalho: Estudo de psicopatologia do trabalho (5a ed. ampl. ed.) (A. I. Paraguay, & L. L. Ferreira, Trads.). São Paulo, SP: Cortez; Oboré.

Figueiredo, M. D., & Onocko Campos, R. (2009). Saúde mental na atenção básica à saúde de Campinas, SP: uma rede ou um emaranhado? Ciência & Saúde Coletiva, 14(1), 129-138. doi:http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232009000100018.

Gomes, V. G. (2006). Apoio matricial: Estratégia de interlocução na rede de saúde de Campinas/SP (Monografia de Aprimoramento em Saúde Mental e Gestão, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas). Disponível em https://www.fcm.unicamp.br/fcm/sites/default/files/paganex/tcc2005vanessagimenesgomes.pdf

González Rey, F. (2012). O social na Psicologia e a Psicologia Social: A emergência do sujeito (3a ed.) (V. M. Joscelyne, Trad.). Petrópolis, RJ: Vozes.

Matos, A. G. (1994). Alienação no serviço público. Psicologia: Ciência e Profissão, 14(1-3), 23-33. Disponível em http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98931994000100006

Merhy, E. E. (2013). O cuidado é um acontecimento e não um ato. In: T. B. Franco, & E. E. Merhy, Trabalho, produção do cuidado e subjetividade em saúde: Textos reunidos (1a ed., pp. 172-182). São Paulo: Hucitec.

Minayo, M. C. (2014). O desafio do conhecimento: Pesquisa qualitativa em saúde (14a ed.). São Paulo: Editora Hucitec.

Navarro, V. L., & Padilha, V. (2007). Dilemas do trabalho no capitalismo contemporâneo. Psicologia & Sociedade [on-line], 19 (n. spe.), 14-20. Disponível em http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822007000400004

Onocko Campos, R. (2007). A gestão: Espaço de intervenção, análise e especificidades técnicas. In: G. W. Campos, Saúde Paidéia (3a ed., pp. 122-149). São Paulo: Hucitec.

Onocko Campos, R. T., & Campos, G. W. S. (2012). Coconstrução de autonomia: o sujeito em questão. In: G. W. S. Campos, J. R. Bonfim, M. C. Minayo, M. Akerman, M. Drumond Júnior, & Y. M. Carvalho, Tratado de saúde coletiva (2a ed. rev., aum., pp. 719-738). Rio de Janeiro: Editora Hucitec.

Onocko Campos, R. T., & Furtado, J. P. (2008). Narrativas: utilização na pesquisa qualitativa em saúde. Revista de Saúde Pública, 42(6), 1090-1096. Disponível em http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102008005000052

Peduzzi, M., & Schraiber, L. B. (2008). Processo de trabalho em saúde. In: I. B. Pereira, & J. C. Lima, Dicionário da educação profissional em saúde (2a ed. rev., ampl., pp. 320-328). Rio de Janeiro: EPSJV.

Sousa, J. C., & Batista dos Santos, A. C. B. (2017). A psicodinâmica do trabalho nas fases do capitalismo: análise comparativa do taylorismo-fordismo e do toyotismo nos contextos do capitalismo burocrático e do capitalismo flexível. Revista Ciências Administrativas, 23(1), 186-216. Disponível em https://www.redalyc.org/pdf/4756/475655252008.pdf

Taylor, F. W. (1990). Princípios de administração científica (8a ed.). São Paulo: Atlas.

Vargas, E. R. & Macerata, I. (2018). Contribuições das equipes de Consultório na Rua para o cuidado e a gestão da atenção básica. Revista Panamericana de Salud Pública [on-line], 42, e170. Disponível em https://doi.org/10.26633/RPSP.2018.170

Publicado
2020-12-08
Seção
Dossiê: Psicologia e Saúde Coletiva