Vulnerabilidade ao Estresse e Estratégias de Enfrentamento: um Estudo Comparativo no Ambiente Hospitalar

Palavras-chave: profissionais da saúde, vulnerabilidade ao estresse, estratégias de enfrentamento

Resumo

O trabalho no ambiente hospitalar torna os profissionais de saúde suscetíveis ao estresse ocupacional. Objetivou-se, neste estudo, comparar a vulnerabilidade ao estresse no trabalho e as estratégias de enfrentamento utilizadas por profissionais de saúde de um hospital universitário. Utilizou-se a Escala de Vulnerabilidade ao Estresse (EVENT), a Escala Coping Ocupacional (ECO) e um Questionário Sociodemográfico e Ocupacional. A coleta deu-se por conveniência, de forma anônima, individual e coletivamente, nas dependências do hospital. Participaram 80 profissionais de saúde, subdivididos igualmente em dois grupos, empregados públicos e residentes multiprofissionais. Ambos os grupos apresentaram alta vulnerabilidade ao estresse, e as estratégias de enfrentamento mais utilizadas dirigiam-se à reavaliação cognitiva das situações estressoras, não sendo encontradas diferenças significativas intergrupo. Contudo verificou-se que profissionais mais jovens usam mais recorrentemente a fuga ou evitação de situações estressoras como estratégia de enfrentamento. Apesar do diferencial deste trabalho ter sido investigar residentes, recomendam-se estudos adicionais com este público pouco conhecido.

Biografia do Autor

Rafael Lima de Matos, Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Especialista em Saúde do Adulto e Idoso pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Graduado em Psicologia pela UFS. Atualmente é psicólogo organizacional e do trabalho no Hospital Universitário de Lagarto (HUF-UFS).

Marley Rosana Melo de Araújo, Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Pós-doutorado em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Doutorado em Psicologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Graduada em Psicologia pela UFPA. Atualmente é docente do departamento de Psicologia na Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Referências

Barros, M. M., Almeida, S. P., Barreto, A. L. P., Faro, S. R. S., Araújo, M. R., & Faro, A. (2016). Síndrome de Burnout em médicos intensivistas: estudos em UTIs de Sergipe. Temas em Psicologia, 24(1), 377-389. doi:http://dx.doi.org/10.9788/TP2016.1-26

Cahú, R. A., Santos, A. C., Pereira, R., Vieira, C., & Gomes, S. (2014). Estresse e qualidade de vida em residência multiprofissional em saúde. Revista Brasileira de Terapias Cogni-tivas, 10(2), 76-83. doi:http://dx.doi.org/110.5935/1808-5687.20140013

Contreras, F., Juarés, F., & Murrain, E. (2008). Influencia del Burnout la calidad de vida y los factores socioeconómicos en las estrategias de afrontamiento. Pensamiento Psicológico, 4(11), 29-44.

Folkman, S., & Lazarus, R. (1980). An analysis of coping in a middle-age community sample. Journal of health and social behavior, 21(1), 219-239.

Grazziano, E. S. (2009). Estratégia para redução do estresse e Burnout entre enfermeiros hos-pitalares. (Tese de doutorado, Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo Universidade de São Paulo, São Paulo). Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-14052009-101907/pt-br.php

Guido, L., Silva, R., Goulart, C., Bolzan, M., & Lopes, L. (2012). Síndrome de Burnout em residentes multiprofissionais de uma universidade pública. Revista Escola de enferma-gem da USP, 46(6), 1477-1483. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342012000600027

Guido, L., Umann, J., Stekel, L., Linch, G., Silva, R., & Lopes, L. (2009). Estresse, coping e estado de saúde de enfermeiros de clínica médica em um hospital universitário. Ciência Cuidado e Saúde, 8(4), 615-621. doi: http://dx.doi.org/10.4025/cienccuidsaud.v8i4.9690

Latack, J. C. (1986). Coping with job stress: measures and future directions for scale devel-opment. Journal of Applied Psychology, 71(3), 377-385.

Lazarus, S., & Folkman, S. (1984). Stress, appraisal, and coping. New York: Springer.

Lei n. 4.119, de 27 de agosto de 1962 (1962). Dispõe sobre os cursos de formação em psicolo-gia e regulamenta a profissão do psicólogo. Recuperado em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L4119.htm

Levin, J. (1987). Estatística aplicada a ciências humanas (2a ed.). São Paulo: Harbra Ltda.

Mansur, A. P., & Favarato, D. (2011). Mortality due to cardiovascular diseases in Brazil and in the metropolitan region of Sao Paulo: a 2011 update. Arquivos Brasileiros de Cardio-logia, 99(2), 755-761.

Maturana, A. P., & Valle, T. G. (2014). Estratégias de enfrentamento e situações estressoras de profissionais no ambiente hospitalar. Psicologia Hospitalar, 12(2), 2-23.

Milagres, C. S., & Lodi, J. C. (2016). Formas de enfrentamento e saúde do enfermeiro diante de estressores ocupacionais. Pensar Acadêmico, 14(2), 100-107.

Moraes, F., Benetti, E. R. R., Herr, G. E. G., Stube, M., Stumm, E. M. F., & Guido, L. A (2016). Estratégias de coping utilizadas por trabalhadores de enfermagem em terapia in-tensiva neonatal. Revista Mineira de Enfermagem, 20, 1-8. doi:http://dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20160036

Nascimento, T. C. C., Araújo, M. R. M., & Almeida, S. P. (2018). Precarização do emprego em um hospital público de Sergipe: um estudo de caso com profissionais da enferma-gem. Revista de Ciências da Administração, 20 (Edição Especial), 117-129. doi:http://dx.doi.org/10.5007/2175-8077.2018 V20nespp117

Ottati, F., & Freitas, V. (2013). Avaliação da qualidade de vida e vulnerabilidade ao estresse no contexto hospitalar. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 4(1), 15-29. doi:http://dx.doi.org 10.1590/S1413-82712011000100007

Pargament, K. (1997). The psychology of religion and coping: theory, research, practice. New York: Guilford Press.

Paschoal, T., & Tamayo, A. (2004). Validação da Escala de Estresse no Trabalho. Estudos de Psicologia, 9(1), 45-52.

Pereira, S. S., Teixeira, C. A. B., Reisdorfer, E., Vieira, M. V., Gherardi-Donato, C. S., & Cardoso, L. (2016). A relação entre estressores ocupacionais e estratégias de enfrenta-mento em profissionais de nível técnico de enfermagem. Texto Contexto Enfermagem, 26(4), 1-8.

Pinheiro, F. A., Tróccoli, B., & Paz, M. G. T. (2002). Aspectos psicossociais dos distúrbios osteomusculares (Dort/LER) relacionados ao trabalho. In A. M. Mendes, L. O. Borges, & M. C. Ferreira (Eds.), Trabalho em transição, saúde em risco (pp. 65-85). Brasília: Universidade de Brasília.

Pinheiro, F. A., Tróccoli, B., & Tamayo, M. (2003). Mensuração de coping no ambiente ocu-pacional. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 19(2), 153-158. doi:http://dx.doi.org/10.1590/0102-37722003000200007

Ramos, F. P., Enumo, S. R. F., & Paula, K. M. P. (2015). Teoria motivacional do coping: uma proposta desenvolvimentista de análise do enfrentamento do estresse. Estudos da psico-logia, 32(2), 269-279. doi:http://dx.doi.org/10.1590/0103-166X2015000200011

Ribeiro, R. P., Marziale, M. H. P., Martins, J. T., Galdino, M. J. Q., & Ribeiro, P. H. V. (2018). Estresse ocupacional entre trabalhadores de saúde de um hospital universitário. Revista Gaúcha de Enfermagem, 39(1), 1-6. doi:http://dx.doi.org/10.1590/1983-1447.2018.65127

Sadir, M. A., & Lipp, N. E. M. (2009). As fontes de estresse no trabalho. Revista de Psicolo-gia da IMED, 1(1), 114-126.

Santos, A. F. (2010). Determinantes psicossociais da capacidade adaptativa: um modelo teóri-co para o estresse. (Tese de Doutorado, Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA). Recuperado de https://ri.ufs.br/handle/riufs/1898

Santos, A. F., & Cardoso, C. L. (2010). Profissionais de saúde mental: estresse, enfrentamento e qualidade de vida. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26(3), 543-548. doi:http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722010000300017

Santos, N. A. R., Santos, J., Silva, V. R., & Passos, J. P. (2017). Estresse ocupacional na assis-tência de cuidados paliativos em oncologia. Cogitare Enfermagem, 22(4), e50686. doi:http://dx.doi.org/10.5380/ce.v22i4.50686

Siegel, S., & Castellan Jr., N. J. (2006). Estatística não-paramétrica para ciências do compor-tamento (2a ed.). Porto Alegre: Artmed.

Silva, G. A. V., Silva, G. S. A., Silva, R. M., Andolhe, R., Padilha, K. G., & Costa, A. L. S. (2017). Estresse e coping entre profissionais de enfermagem de unidades de terapia in-tensiva e semi-intensiva. Revista de Enfermagem Universidade Federal de Pernambuco, 11(2), 922-931. doi:http://dx.doi.org/10.5205/reuol.10263-91568-1-RV.1102sup201707

Silva, R. M. B., & Moreira, S. N. T. (2019). Estresse e residência multiprofissional em saúde: compreendendo significados no processo de formação. Revista Brasileira de Educação Médica, 43(4), 157-166. doi:http://dx.doi.org/10.1590/1981-52712015v43n4RB20190031

Sisto, F. F., Baptista, M. N., Noronha, A. P. P., & Santos, A. A. A. (2007). Escala de Vulne-rabilidade ao Estresse no Trabalho – EVENT. São Paulo: Vetor.

Stults-Kolehmainen, M. (2013). The interplay between stress and physical activity in the pre-vention and treatment of cardiovascular disease. Frontiersand Physiology, 4(346), 1-4. doi:http://dx.doi.org/10.3389/fphys.2013.00346

Tamayo, M. R., & Tróccoli, B. (2002). Exaustão emocional: relações com a percepção de su-porte organizacional e com as estratégias de coping no trabalho. Estudos de Psicologia, 7(1), 37-46. doi:http://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2002000100005

Teixeira, C. A. B., Gherardi-Donato, E. C. S., Pereira, S. S., Cardoso, L., Reisdorfer, E. (2016). Estresse ocupacional e estratégias de enfrentamento entre profissionais de en-fermagem em ambiente hospitalar. Enfermería Global, 44(1), 299-309.

Tsai, Y. C., & Liu, C. H. (2012). Factors and symptoms associated with work stress and health-promoting lifestyles among hospital staff: a pilot study in Taiwan. BWC Health Service Research, 12(199). doi:http://dx.doi.org/10.1186/1472-6963-12-199

Umann, J. (2011). Absenteísmo na equipe de enfermagem no contexto hospitalar. Ciência, Cuidado e Saúde, 10(1), 184-190. doi:http://dx.doi.org/10.4025/cienccuidsaude.v10i1.11867

Wu, H., Chi, T., Chen, L., Wang, L., & Jin, L. (2010). Occupational stress among hospital nurses: cross-sectional survey. Journal of Advanced Nursing, 66(3), 627-634. doi:http://dx.doi.org/10.1111/j.1365-2648.2009.05203x

Publicado
2021-09-28
Como Citar
Matos, R. L. de, & Araújo, M. R. M. de. (2021). Vulnerabilidade ao Estresse e Estratégias de Enfrentamento: um Estudo Comparativo no Ambiente Hospitalar. Revista Psicologia E Saúde, 13(2), 65-81. https://doi.org/10.20435/pssa.v13i2.1137
Seção
Artigos